O que os evangélicos estão esquecendo?


se esqueceram da cruz

[O calcanhar de Aquiles da instituição que se erige
como consulado do Paraíso é a arrogância de agenciadora.
Tirem este direito e vê o que sobra.]


Eu acredito que Jesus Cristo se tornou humano a fim de tornar visível e sabido a todo homem, o resgate da humanidade e tudo mais que existe. Fendeu-se a saga da criação para emergir o Salvador e Reconciliador. Como Homem, designou-se a cumprir, por todos nós, àquilo que foi estabelecido como aliança entre Deus e o Homem na primitividade humana e que, na verdade, foi consumado antes da criação existir... Ele, Jesus, citou toda a lei e cada regra dura, Jesus as reafirmou de maneira impossível de cumpri-las: “Se antes era pecado assassinar, agora é pecado se levantar contra o seu irmão, se antes era pecado adulterar, agora é pecado pensar em outra mulher, se antes tinha concessão para se divorciar, agora não é permitido de divorciar e casar-se novamente, se antes era pecado não cumprir o que jurou, agora é pecado jurar, se antes o negócio era dente por dente, agora é pecado revidar.”

Fez tudo isso para provar ao Homem que ele não era capaz de cumprir. A lei de Moisés não salvou nem ele mesmo e nem ninguém, posto que quem quer que cumprisse, ainda sim, não cumpria o suficiente para conquista auto-salvação, apenas servia para moldar um pouco, o coração e as ações a fim de que Jesus completasse o que tinha de ser feito. A lei nos corações humanos, apenas os amolecia para receber o evangelho de quem, de fato, cumpriria o suficiente. Jesus morreu e pagou todos os pecados. Do bom guardador da lei ao ser mais alienado das leis mosaicas e reconciliou, apesar da lei, todo aquele que crê Nele com sua própria alma. Daí, foi banido o cumprimento da lei e todos os ritos. Caducou-se a idéia de provar para Deus que alguém merece privilégios. Expirou a validade do tempo em que se podia separar quem era filho de Deus e quem não era.

Jesus, o único eleito, pegou a todos e colocou debaixo de suas “asas”. Sem acepção de pessoas. Todos os que crêem, com sua alma contrita, não precisa provar nada mais e mais nada fazer para provar. Agora é apenas uma questão de, com o passar do tempo, mudar as atitudes e jeito de viver, cheio do seu Espírito, até o momento em que Ele nos levar para o “outro lado” e completar a transformação. Ele instituiu a comunidade da fé não como um confinamento de herdeiros, mas sim, para ser um sinalizador do reino instaurado e que apenas ecoa a boa nova e coopera com o seu semelhante, haja vista que, os seus herdeiros são incontáveis e irreconhecíveis em sua totalidade. Vamos, no caminho da vida, nos deparando com eles... Já não há terreno do céu para vender. Já não há preferidos no reino. Já não há grandes servos e nem pequenos.

Não há necessidade de disputar terrenos para implantar uma congregação. Não há necessidade de brigar por audiência. Não há necessidade de expandir o reino de Deus, como se ele dependesse de nós. Não há necessidade de ajudarmos a Deus ser Deus. Não há necessidade de fazer valer o sangue de Jesus como se dependesse de nós. Não há necessidade de separarmos o joio do trigo. Não há necessidade de mandar Jesus fazer as coisas. Não há necessidade de decidirmos por Deus. Não há necessidade de julgarmos por Deus. Não há necessidade de treinarmos pessoas para lidar com Deus. Não há necessidade de fazer toda nação de um país engolir os princípios bíblicos. Não há necessidade de competir com outras religiões. Não há necessidade de obrigar nossos filhos a crer do modo que cremos. Não há necessidade de sugar todo o dinheiro alheio para ensinar a desapego.

Eu imagino que se todos nós nos comportássemos, desde os primeiros séculos, como Jesus ensinou e sem se tornar um sistema que se apodera da salvação a fim de protocolar os salvos através da coação, seríamos considerados o melhor povo do planeta. Seriamos bilhões de pessoas livres para amar e acolher. Seríamos o bálsamo do mundo, não como religião preponderante, mas como uma nação de amantes, acolhedores e cooperadores. Seria uma nação que deixaria um legado que eu, por mais que me esforce, não consigo imaginar. Tente imaginar uma pessoa que se assemelha com Jesus...agora imagina bilhões dela... Imagine se esses bilhões substituíssem a genocida igreja medieval e a adúltera e perversa igreja contemporânea, que juntas compõem 2000 anos de corrupção da essência, pregação e vivência do evangelho... Isso é utopia, pois é difícil crer que um povo mantenha a pureza intacta de qualquer coisa boa por muito tempo...

Eu amo e vivo com esse evangelho ardendo em mim. É por isso que escrevo e oro para que alguns de nós e algumas comunidades, seja igreja, movimento ou pequenos encontros, consiga, ainda que na marginalidade, anunciar a reconciliação, brindar e dançar a vida, acolher sem acepção e cooperar neste tempo presente a fim de jogar luz no mundo. Os filhos de Deus são qualquer um que decide viver sem o rigor da lei e sem medo de ir para o inferno por não cumpri-las, porém já é uma nova pessoa, onde a nova consciência já o toma, esteja caído ou de pé. “O calcanhar de Aquiles da instituição que se erige como consulado do Paraíso é a arrogância de agenciadora. Tirem este direito e vê o que sobra.”

Se o desejo duma comunidade é ser um sinal histórico do reino é preciso deixar de ser uma embaixadora que define o reino e os do reino e que a poderosa mensagem da cruz, nos chama para uma festa, uma reconciliação, uma identificação e uma assemelhação.

Um comentário:

Ronald disse...

Legal, muito legal e bem escrito. Mas eu penso mais simples. Penso que Mateus, o velho legalista mentiu.

E disso falo amplamente no meu blog.

Como se livrar da letra morta? do Está Escrito? Se há milhares de "Está Escritos" a contradizer a GRAÇA?

Como se livrar da trindade operadora de milagres e maravilhas, se nao se chutar a santa?

Os Evangélicos esquecem de ouvir a voz do Pastor e ouvem a voz do impostor, e ai daqueles que ousarem levantar a voz contra os impostores que tomaram de assalto o EVANGELHO e o transformaram na pregaçao da condenaçao.