Tapeceiro ou Parceiro?

Leonardo Da Vinci


[A vida humana precede a existencialidade dela]

Deus só pode amar mais, sendo Deus. Deus sendo Homem para amar mais, na verdade, o torna amante igual a mim e a você. Deus sendo homem, não amou como Homem. Deus sendo homem amou em forma de Homem e em forma de Homem amou-nos com amor tão intenso a ponto de rasgar o véu do templo e do tempo, onde a partir dele, inaugura a celebração de um novo caminho aos que ouvem e crêem na mensagem do messias, como também, embute na história humana, um dado eternal, que é o sacrifício do cordeiro antes da fundação do mundo. Creio num Deus que conhece a cada detalhe de tudo que existe e não há como crer que Deus não conheça algo sendo que ele tem em suas mãos, a simultaneidade de todas as coisas que em nós acontecem gradativamente. Deus escreve a nossa história. Nossa realidade é um fato contado por Deus e isso não é fatalismo.

O Deus de alguns calvinistas é um Deus que escolhe um roteiro e depois vai pitando de modo existencial. O Deus dos arminianos e do Teismo Aberto é um Deus que concede ao Homem escrever sua história. Nessas correntes teológicas, Deus está amarrado no Tempo. No primeiro caso (calvinismo), Deus escreve antes o que bem entender para dar início a narrativa humana. (Deus dentro do tempo – Primeiro ele escreve e depois a coisa acontece Gradatividade) No segundo caso (arminianos e T.A.), Deus não escreve nada ou pouca coisa escreve, porém tem de esperar o que o ser humano irá determinar. (Deus dentro do tempo – O homem é quem decide quando Deus vai realizar algo) Ainda neste segundo caso, Deus, nos reveses da vida humana, é tido como um “Deus que não sabia” de tão dependente do Homem que ele é. E quando ele sabe de algumas coisa do futuro, dá-se um nome de pré-ciência (mais um atributo de quem está limitado ao tempo – Deus sabe antes e “antes”, até onde sei, é uma propriedade do tempo: antes, durante e depois, co-relacionando com passado, presente e futuro).

Eu não consigo ver outra coisa a não ser a partir desta fé louca que diz que Deus é indomável e livre das paredes temporais. Dizem que Deus é pego de surpresa, que escreve ao seu bel prazer, que depende do homem, que sabe antes, que sabe depois ou que prefere não saber. Penso o seguinte: Deus escreve, existencialmente, a vida que acontece na realidade simultânea dele, para que o homem capte e assimile aquilo que já aconteceu num modo instantâneo. A história da vida não é contada por nós e nem para Deus. A história é contada para nós, assim como foi a morte do único filho de Deus, na eternidade e que foi, existencialmente, visualizada há 2,000 anos atrás para que o homem pudesse ver e crer. Num ponto do aeon divino, surge toda vida e nesse dado criativo, tudo acontece na presença de seu criador e a existencialidade desta vida acontece a posteriori, para que todo aquele que recebe o fôlego de vida, sinta na entranha da alma, a progressividade daquilo que aconteceu em nós e por nós, no start divino. A vida humana precede a existencialidade dela e ela só se existencializa, para que o ser existente decifre suas escolhas, preferências, ações e reações acontecidas paralelamente, na simultaneidade divina.

Deus fez o Homem e o reconciliou em sua realidade acima do tempo e para que este mesmo Homem conhecesse a si mesmo, Deus encarnou o Homem no tempo, através da existência. Então o Homem passou a conhecer a si mesmo através do ontem, hoje e amanhã. Deus não precisa do tempo para acolher os seus filhos. O Homem é quem precisa para que seja vivenciado cada nano momento de sua vida. A partir daí, Deus tece aquilo que é de mais lindo, inexplicável e paradoxalmente natural ao Homem, sem marionetismo e sem fatalismo. Assim Deus vai costurando todas as realidades sem ferir sua eterna bondade e sem se tornar servo do tempo. Teólogos e filósofos conjecturam a engrenagem e manutenção da existência e ainda sim, pouco sabemos.Não sei se estou certo, porém tenho como princípio a grandeza dele dita pelo ele próprio. Ora, como crerei diferente, sendo Deus quem ele é e quem ele diz ser? Nós somos tão pequenos que em via de bom senso, deveríamos crer descartando tudo aquilo que vai se tornando obsoleto através duma melhor compreensão.

Enquanto não se tinha noção da esferidade da Terra, viveu-se conforme a consciência vigente até chegar ao conhecimento real. Se tratando de Deus, nunca dissecaremos a grandeza dele, mas toda a renovação de entendimento deve ser feita se for possível ou se realmente tiver de ser feita, por apenas um motivo: quanto mais desapegarmos das idéias obsoletas, estaremos deixando para trás, o esforço humano em se entender Deus, que por uma linha de pensamento filosófico ou teológico, acaba criando um outro Deus, uma pseudo-doutrina e podendo também refletir num modo de vida totalmente prejudicial ao Homem. É por isso que a melhor opção sempre será em crer num Deus que esta acima de todos e de tudo. Nem a profundeza do mar, do buraco negro ou do recôndito pensamento esconderá uma fagulha de existência. Crendo assim, só me resta pensar que tudo acontece nele e por ele e nós somos criaturas dele cumprindo um papel que na verdade é nosso e que aconteceu na explosão da vida onde tudo já está consumado e consumando está sendo para mim e para você.


Um fato e duas realidades. Deus tudo criou. Tudo se inicia nele e encerra nele e através da minha e da sua vida, se confirma que nada acontece fora dele. Nem meu pecado e nem minha redenção. Nem a minha atitude e nem minha omissão. Deus nos faz conhecido em relação a algo que se conheceu na eternidade. Nunca manipula a vida em favor dela (eternidade). Nunca condiciona a eternidade em favor da vida.

Quem fez tudo isso? Quem chama as gerações à existência desde o princípio? “Eu, o Senhor, que sou o primeiro, e que sou eu mesmo com os últimos.”
Isaías


Abraços

Um comentário:

Eduardo Cruz disse...

Parabéns pelo seu blog textos oindissimos e profundos. Virei aqui sempre!!!!