Quem somos nós? (II)



Quem viver Nele, eternizar-se-á Nele!
É normal nos encontrarmos, às vezes, pensando na morte e como ela virá. Todo mundo já teve uma sensação ruim quando se deparou pensando nela. Quando lemos a narrativa de Cristo sobre a morte, logo vemos o poder dele sobre ela, porém, só através da fé é que começamos reagir de uma forma não tão desesperadora. Temos um propósito como um todo para Deus. Esse desígnio é ser como Ele é. E isso, nós já somos, porém e por causa da sucessividade das coisas que existem como matéria, nós seremos finalmente, como Deus é, quando toda existencialidade se fundir nele de modo que não haja mais nada para nascer, crescer e morrer como seqüência desnaturada. Esse desígnio tornou-se a existir por causa do próprio Homem. Este desígnio é um chamamento para que o Homem volte a ser o que um dia ele passou a ser e perdeu por causa da auto-alienação.

O “ser um” como Deus diz que devemos ser não tem nada a ver com uma unidade ideológica, política ou religiosa. O “ser um” se dá através, a princípio, do retorno como o ser humano era antes da queda, e posteriormente, em nossa eternização consolidada. Para ser como este ser era, o Homem contou com a disposição de Cristo em “absorver” o espírito do Homem para situá-lo nos patamares celestiais a partir de quando decidimos viver nele (“Ninguém vem ao Pai senão por mim”). Quando Adão e Eva quebraram o pacto com Deus, quem pagou por esta auto-violação, não foi o casal, foi o ser humano como um todo. Isso demonstra a veracidade de que somos um (em nossa realidade, somos um montante de cacos).

Cristo é a ponte onde só os que são “um” passam por ela. Esse “um” tem uma história totalmente diferente daqueles que não se encarnam nesta corporalidade singular de Deus, pois enquanto os chamados “um em Deus”, que são a própria metamorfose de seres aparentemente individuais num corpo vivo, os “cacos humanos” indispostos e iludidos com a auto-independência, subsistir-se-ão como “ser humano” até o prazo de vencimento da tentativa humana de estar alheio ao que é ser humanos interligados em Deus. Para os reconciliados, a expressão “morte” passa pela significação do Evangelho que dá novo significado devido o que, de fato, acontece.


Ora, a morte perde a sinonimação de ser “o fim da vida” e passa ser: estado de óbito, que, conduz o Homem até Deus, apesar de causar sofrimento aos que ficam (para alguns, ausência momentânea, para outros, ausência definitiva). É por essas e outras que devemos ser firme em nossa fé. Fé que nos faz inabaláveis mesmo quando perdemos ou sofremos intrinsecamente. A melhor coisa do mundo é saber que independente do aconteça conosco, nada pode representar perenidade. Qualquer situação difícil que perdure em nossa vida, em cinzas, se transformará. Toda a irreversibilidade e todo predomínio assolador na alma e no corpo, virará cinza! A morte será a última dor. A morte rompe os lacres da porta para a eternização do Homem e este Homem será novamente e literalmente como Deus é!

Quem não se alimenta da expectação coletiva, quem não comunga com a aromatização do bem estar coletivo, quem não proclama a horizontalidade divina (Deus em nós), quem não se enxerga como uma parte do "todo ser humano", torna-se um transeunte alienado da efêmera e sintética felicidade individual. Vive sem "sentido da vida". O "sentido da vida" não é descobrir o caminho da felicidade, não é descobrir quem somos e para onde vamos (até porque já estamos aonde pensamos que ainda estamos indo). O sentido da vida está em VIVER coletivamente enquanto se vive até o dia em que seremos eternizados juntamente com aquele que é a própria eternidade!

Nenhum comentário: